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Da Baleia Azul a 13 Reasons Why: A trágica decisão de tirar a própria vida

DA REDAÇÃO

“Se vocês não sabem, eu já tentei o suicídio de diversas formas”, assim escreveu a jovem Cassiterita Silveira, de 16 anos, horas depois de ter sido localizada. A adolescente passou boa parte do dia 15 de Junho desaparecida na Estância Turística de Ilha Solteira e foi encontrada na cidade da criança. Ela confirmou que havia planejado tirar a própria vida naquele dia.

O suicídio ainda é um tabu no Brasil e pouco se fala sobre o assunto. Fenômenos como a Baleia Azul, que explodiu no mundo todo em 2016, serviram apenas para glamorizar o ato. Esse jogo que foi dramatizado na novela das 21 horas da Rede Globo, A Força do Querer, consistia em diversos adolescentes realizarem várias tarefas, cada vez mais difíceis, sendo a última, o suicídio. Dezenas de adolescentes atentaram contra si próprios como parte do jogo.

Na região não houve notícias de jovens participando da Baleia Azul. O fato é que os suicídios aumentaram consideravelmente nos municípios dos Grandes Lagos. Apenas nos últimos 12 meses foram 15 suicídios nos 30 municípios da região, além de outras 05 tentativas registradas oficialmente.

Os números são considerados altos e mostram que as pessoas estão cada vez mais considerando retirar a própria vida. Para Aline Maia, psicóloga que atua justamente na prevenção de suicídios em São José do Rio Preto, é preciso falar do assunto. “Suicídio é a última decisão de uma pessoa sem nenhuma esperança”, comentou ela explicando que é preciso que famílias e amigos estejam atentos. “Uma pessoa depressiva pode ter um arroubo e cometer uma loucura”.

No ano passado o assunto passou a ser tratado globalmente através da série da Netflix 13 Reasons Why. Acusada de glamorizar o suicídio, a produção sofreu fortes críticas por parte de especialistas que a acusaram de apresentar diversos gatilhos que poderiam incentivar a prática para pessoas que sofrem algum tipo de distúrbio mental. Ainda assim, o assunto foi tratado como poucas vezes se viu na história.

Na região, assim como no restante do Brasil, a maior recorrência de atos suicidas se dá na faixa etária de 15 a 29 anos e isso é perfeitamente explicável. “Adolescentes e jovens são mais suscetíveis a praticar o suicídio, pois para eles, uma decepção tem uma magnitude muito maior que para uma pessoa na vida adulta”, justificou Otávio Pereira, psicólogo da cidade de Araçatuba que atende diariamente dezenas de adolescentes em depressão.

Para ele, é preciso que a sociedade fale sobre o assunto. “O suicídio não deveria ser nunca uma opção viável para ninguém. Mas para isso, é preciso que a pessoa se sinta amada, querida. Por isso é fundamental que estejamos sempre dispostos a ajudar o próximo”.

O caso de Cassiterita é sintomático. Embora ela não tenha conseguido dar cabo de sua vida, os sinais eram claros de que havia algo errado com ela e a sociedade apenas se deu conta justamente quando o risco de suicídio pareceu iminente. Por conta disso, a Organização Mundial de Saúde vem tratando o assunto como prioridade, uma vez que nos últimos 30 anos a taxa de suicídio em todo o mundo vem crescendo ferozmente.

 

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