POR Naian Lucas Lopes

Na Estância Turística de Pereira Barreto, os mutuários das residências da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) estão se organizando para entrar na Justiça contra o Governo do Estado de São Paulo, responsável pelo programa.

A ideia é que seja feita uma ação coletiva em busca de informações sobre as regras do projeto habitacional e também uma negociação para que os valores da parcela deixem de girar em torno dos R$ 900 e caia para R$ 450.

A equipe do Portal Fatos Regionais teve acesso a contratos que comprovam as altas parcelas. Uma moradora pereirabarretense vai pagar no primeiro mês R$ 896, mantendo esse valor ao longo dos próximos cinco anos. Depois, por mais 25 anos, essa parcela cresce para R$ 912.

Outra reclamação dos contemplados é o fato das rendas declaradas no contrato não estarem de acordo com o o holerite. “Está constando no holerite do meu marido hora extra. Isso não existe, porque hora extra não é renda fixa”, falou a moradora.

O que mais chamou atenção é o preço final da residência. Segundo o contrato da munícipe, a sua casa custou R$ 112 mil, entretanto, ela terá que pagar até o fim mais de R$ 320 mil. “Os juros são altíssimos. Ninguém nos avisou sobre isso”, contou. “Se eu soubesse que seria esse abuso, tinha tentado financiamento no “Minha Casa, Minha Vida”, concluiu.

O OUTRO LADO

De acordo com dados do Governo do Estado de São Paulo, os mutuários poderão pagar até 30% da renda familiar, sendo assim, todos os moradores estavam cientes dessa regra desde o começo das inscrições e o valor a ser pago inicialmente gira em torno dos R$ 380 até R$ 600 mensais durante 12 anos, o que alguns munícipes dizem que a informação não é verdadeira.

A Prefeitura de Pereira Barreto também se posicionou e soltou uma nota, na tarde desta sexta-feira, 06, prestando esclarecimentos sobre alguns pontos. O principal é que a Administração Pública faz apenas uma intermediação entre a CDHU e os contemplados, ou seja, a responsabilidade da regularização das casas é do Governo do Estado de São Paulo.

Isso significa que a parte comercial dos imóveis ou pelos contratos entre a CDHU e seus mutuários faz parte das obrigações do Poder Executivo Estadual.

A Prefeitura ainda terminou o texto informando qual local os vencedores das casas podem procurar esclarecimentos sobre os contratos. “O contato direto com a CDHU, no seu posto de atendimento, fica em Araçatuba, localizado na Rua Torres Homem, 722, Jardim Bandeirantes, ou pelo telefone: (18) 3303-7505. O horário de atendimento é de 2ª a 6ª feira, das 8h às 17h30min”, declarou.

Há também o site www.cdhu.sp.gov.br/a_empresa/politica-social-cdhu.asp, que disponibiliza informações sobre a CDHU.

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