DA REDAÇÃO

A morte da jovem mulher de 37 anos, muito querida por todos os pereirabarretenses, Aline Cavalli, ainda é muito sentida nas ruas e residências da Estância Turística de Pereira Barreto. Também, pudera. Após uma longa luta contra o câncer, Aline faleceu nesta quinta, 13, deixando amigos e familiares consternados.

É tempo de chorar a perda de uma pessoa muito querida. Toda a cidade de Pereira Barreto está em luto e é muito natural que se compreenda este momento. A tristeza e a dor da perda devem ser respeitadas por todos e a reverência pela passagem de uma pessoa amada sempre deve ser a prioridade. O velório, recém iniciado, e o sepultamento que acontece na manhã desta sexta, devem ser reverenciados.

Porém, a saudade ou a morte não devem ser o enfoque da lembrança de Aline Cavalli. A sua vida diária deve ser um memorial não apenas para as pessoas que sofrem acometidas por uma doença, mas por todos, pois não existe aquele que não enfrenta problemas dificultosos em algum momento da vida.

Muitas pessoas tentavam descrever Aline em apenas uma palavra. A tentativa frustrada reunia palavras como guerreira, batalhadora e corajosa. Todos os adjetivos cabiam nesta impressionante mulher. Porém, nenhuma delas era suficiente para defini-la. O verbete que melhor se encaixava na vida de Aline Cavalli é: legado.

Aline reinventou o modo como os pereirabarretenses passaram a enxergar o câncer. Ela não era apenas guerreira ou batalhadora, era muito mais. Sua incessante vontade de viver fazia com que ela enfrentasse sua doença da forma como melhor deveríamos fazer: com humanidade. Ora com alegria, ora com dor, ora com tristeza e medo.

Aline Cavalli jamais tentou ser a coitadinha doente. Jamais tentou também ser o exemplo de força e coragem. Aliás, ela jamais tentou ser algo. Ela queria apenas ser Aline Cavalli. Festeira, com prazer em ajudar o próxima, rodeada de amigos, esta foi a vida que ela escolheu e assim viveu cercada de amor e realizações.

Quem, após tantos anos enfrentando uma metástase iria retornar para o curso superior? Aline Cavalli. Quem seria promoter de eventos, enquanto se via obrigada a raspar os cabelos por conta de um tratamento médico? Aline Cavalli. Quem postaria foto de guloseimas enquanto fazia quimioterapia? Aline Cavalli. Quem fazia textão no facebook brigando por melhores condições da saúde pública, não para ela, mas para todos? Aline Cavalli.

De que vale a luta se o final é sempre a morte? Vale muito. Principalmente quando se deixa um legado. Aline Cavalli ensinou muito: que podemos enfrentar nossos problemas de frente, que podemos defender causar, que podemos ser corajosos. Mas ensinou algo que vai além.

Aline Cavalli ensinou que câncer nenhum é capaz de tirar de nós aquilo que nascemos: a humanidade. Descanse em paz, Aline.

Print Friendly, PDF & Email